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Carona pela internet vira febre entre estudantes

[30/05/2010] A conversa animada sobre os cultos do Santo Daime e os desafios do estágio numa escola da periferia faz o tempo de viagem das jovens Tatiana Hesser, 23 anos, Bárbara Bolzani, 25, e Adriana Scarpim, 28, passar mais rápido. Quem vê as três dentro do carro, no percurso de 93 km entre São Paulo e Campinas, pode jurar que são boas amigas, que se conhecem há tempos. O trio, no entanto, só se encontrou porque combinou a carona pela internet - fato que está se popularizando entre os universitários.
Ônibus
As três amigas fizeram a viagem de São Paulo a Campinas no último dia 20 de maio, um quinta-feira. "Para mim vale a pena", disse Bárbara. "O ônibus custa R$ 21. Deixa a gente em Campinas. Como a Unicamp fica em Barão Geraldo, precisa de outro ônibus, que demora mais uma hora e custa R$ 2,60." Ela paga cerca de R$ 15 pela carona.
A motorista do grupo, Tatiana, também diz que dar carona compensa. "Com três caronas a R$ 12, pago o álcool e os dois pedágios que ficam em R$ 35", calcula.
As participantes dizem acreditar que respeito é fundamental para a carona dar certo. "Não gosto quando a pessoa corre muito ou dirige de forma brusca", diz Bárbara.
"Tem gente que faz piadinhas sem graça, homofóbicas e de preconceito contra alguns cursos. Isso é terrível", afirma Adriana. Tatiana diz que não gosta quando atrasam ou desmarcam em cima da hora. "É chato, porque deixa de dar carona para outros e perde ajuda de custo", afirma a estudante.
Eles também pediam carona
Necessidade criou site, dizem idealizadores

A necessidade de tomar caronas para ir e voltar de São Paulo foi o que impulsionou os então estudantes de engenharia da computação Guilherme Valente de Souza, 23 anos, e Matheus Marosti, 25, a bolar o site Unicaronas. "Foi em 2006. A gentes 'era amigo e não tinha carro. Pegava carona com outros amigos. Era difícil, porque não era sempre que conseguia lugar nos carros. Aí, tinha de pegar ônibus. Conhecemos um grupo de e-mail que marcava caronas entre os alunos e resolvemos melhorar aquilo", conta Souza. O serviço começou com apenas 200 acessos. "No nosso curso, agente aprendeu a fazer site e, no começo, foi até um hobby. A gente gastou um pouco com o provedor e a hospedagem, mas as pessoas começaram a aderir", disse Marosti. “As caronas de antes eram papéis no mural", afirma Souza. No começo, de acordo com a dupla, as pessoas tinham medo de deixar o telefone. Hoje, com a confiabilidade do serviço, segundo os cálculos dos dois sócios, a média é de 2.200 acessos diários.
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